Capítulo 3 (1.2) - Um Segundo

-Hei... Você está bem? – O elfo se aproximou do Orc que acabara de matar, mas eu sabia que ele estava falando comigo, claro, ele não falaria com um Orc morto. Era comigo, tinha que ser comigo, com o Orc não podia ser...

-Da onde veio? Por que veio? E o que está ganhando em troca para me tirar daqui? –Ele atropelou meus pensamentos com essas perguntas, e enquanto eu processava as respostas ele foi roubando coisas dos Orcs como ouro, pequenas armas e outras coisas que eu não vi.

-Quem é você? –Foram às únicas palavras que saíram de minha boca depois de uma boa retomada no meu fôlego.

O elfo revirou os olhos em reprovação... Talvez por eu não ter respondido as perguntas dele. Mas acho que ele entendeu que eu estava certo em perguntar isso.

-Meu nome é Heric... E isso é tudo que tem que saber sobre mim! –Ele agora procurava algo a mais nos bolsos dos Orcs – E você, senhor herói, qual a sua graça?

Eu hesitei em falar meu nome. Ele não havia me agradado muito, mas eu acabara de salvar a vida dele. Isso podia me render alguma coisa em um futuro próximo.

-Ogaiht! Thief Ogaiht!

Ele apenas levantou as sobrancelhas exclamando “Hum” e continuou revistando os guardas.

-Então, senhor Smith...

-THIEF! – Se existe uma coisa que me irrita além de deboche, é o erro de meu nome. É a única coisa que tenho de meus pais... O nome!

O elfo assustou com meu grito e então retirou umas Chaves do bolso do Orc que eu havia “Explodido”.

-Não sou o único prisioneiro daqui! Ajude-me a libertá-los, sim? – Ele sorriu, mas ao ver minha expressão sarcástica, retirou o sorriso e foi em direção para a outra cela.

Ele caminhou um pouco e abriu a cela.

Então entrou na cela e saiu com uma garota, elfa também, em seus braços.

-Ela está bem? – Perguntei por educação, na verdade, pouco me importava eu só queria era sair de lá. Aquele lugar ainda não me agradava.

-Está sim! Só está sem comer faz algum tempo!

Ele me pareceu preocupado demais... Seus olhos entristeciam quando a olhava inconsciente em seus braços. Como um irmão... Ou até mais.

Começamos a caminhar em direção a saída, eu na frente e Heric atrás com a garota no colo.

-Amigos! –A voz que disse isso não era de Heric, nem da Elfa.

Era uma voz grossa e adulta vinda da cela ao lado.

Eu me virei lentamente, sem saber muito o que eu podia esperar naquele momento...

Deparei-me com um humano, estatura alta (claro que os Elfos são bem mais baixos, eu só meço 1,70 e posso me considerar um elfo muito alto), ele tinha cabelos curtos e negros e tinha um porte de guerreiro.

-Por favor, não me deixem! –Ele implorava e tentava me pegar de dentro da jaula.

Heric fez um esforço para levantar a elfa um pouco mais e conseguir me entregar a chave da cela.

Eu estava com medo de abrir a porta para ele...

E se fosse um inimigo?

Mas e se fosse um amigo?

Deixei meu corpo fazer o que quisesse!

E ele abriu a cela.

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