Capítulo 2 (2.3) - Uma má Idéia...

- Quem é você? – Disse o Orc da direita. Sem medo aparente.

Senti cheiro de curiosidade e acho que eles sentiram o gosto de meu medo.

E –não sei como- tive uma jogada de mestre.

- Sou o novo capitão da guarda do Rei, e seu braço direito também! Desculpem por causar confusão por aqui, mas não suporto aglomeração de plebeus em minha volta!

Os Orcs se olharam, senti uma gota de suor escorrendo em minha bochecha e um pouco de saliva descer queimando minha garganta.

Continuei com o discurso:

-Enfim, me dêem licença dessa porta, preciso falar com o Rei, acho que ele não irá gostar de saber que vocês me impediram de subir...

Estava quase convencendo eles... Ainda sentia um pouco de desconfiança vindo daqueles rostos feios. Precisava reforçar:

- Vou ter MESMO que chamar o rei aqui? Vou ter que matá-los? Duvidam da minha força? Da minha amizade com o Rei? ANDEM LOGO!!!

Eles caíram como patos... Não, como Orcs mesmo! Mas caíram.

Esse meu último grito os fizeram despertar de um transe mental por falta de massa cinzenta. Isso provocou medo neles.

Agora eu era o braço direito de um Rei Maligno... Eu teria que ser um braço direto maligno.

Eles abriram a porta para mim e ainda fizeram reverência, me senti um... Um braço direito de um Rei maligno (?).

Lá ia mais uma carta:

-Não sei... Não seria melhor deixar para outro dia?

-NÃO SENHOR! Entre, fique à vontade! –Disse o Orc da esquerda.

Eu avancei a escadaria, mas antes de passar porta, precisava saber onde ficavam as masmorras e os aposentos reais.

Ataquei de novo:

- Eu vim neste castelo há muitos anos... Onde que ficam os aposentos reais? Não me recordo.–Lancei o melhor olhar de dúvida que consegui.

Eles me analisaram da ponta da minha bota de pano até a ponta do fio do meu cabelo loiro, duas vezes. Mais essa mentira... Acho não iria colar.

- Ficam na primeira porta á direita, logo após a escadaria.

Fiquei alguns segundos assustado, não acreditei que eles tinham caído em outra mentira... DE NOVO.

Mas eu ainda precisava saber onde ficavam as masmorras, era só mais um detalhe que eu precisava.

Lancei uma semente:

-Mas ali não são as Masmorras?

Colhi maduro, o Orc respondeu com firmeza:

- Não, meu senhor, as masmorras ficam na segunda porta á esquerda, na direita são os aposentos reais.

Já tinha tudo o que queria, faltava o elogio e a promessa.

Executei os dois últimos passos de uma mentira bem feita.

- Hum... Vocês são muito hábeis e falam bem, talvez eu os chame para fazer parte da brigada principal, prometo que conversarei com o Rei sobre isso, até mais cavalheiros!

Ok, agora querido leitor, te explico os passos de uma mentira bem-feita.

O primeiro passo é a apresentação. Uma postura ereta e de respeito, você tem que ser maior que a pessoa para quem vai mentir. Uma posição de medo não te ajuda muito.

Depois vem a mentira, a questão em jogo. Mais conhecida como “A Proposta”.

Logo depois da proposta vem a Pressão. Você tem que fazer um pequeno jogo psicológico com a pessoa para lhe contar o que aconteceria caso sua mentira fosse mesmo uma mentira.

Em seguida nós temos o Passo atrás. O Passo atrás é a concordância da pessoa, quando ela concorda e você não concorda mais. E aí, é ela que vai te convencer de sua própria mentira. Palavras como “Será que eu devia”, “Você acha?” e “Eu não sei...” São as mais as usadas.

Depois disso, você pode caminhar e sair andando, mas ainda tem um passo a mais para tirar as últimas desconfianças da pessoa. É a promessa e o Elogio. Elogie a pessoa e prometa falar bem dela para uma pessoa importante ou fazer algo por ela.

Apresentação, Proposta, Pressão, Passo atrás e Promessa.

E o mais importante de tudo, acredite em sua mentira, se você não acreditar, ninguém vai! Force sua mente a acreditar nela, mesmo que contra sua vontade.

Eu não chamaria mais a atenção dos Orcs... Pelo menos daqueles!

Dois de duzentos...

Já era alguma coisa...

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