Capítulo 2 (1.3) - Uma má Idéia

Depois de assistir aquela cena, tentei relaxar, o que foi quase impossível. Consegui meditar um pouco, mas as imagens voltaram a me atormentar e confundir o meu pensamento. A idéia de uma família, uma mulher, um elfo e outro homem serem torturados diariamente, eu só teria uma coisa a fazer.

Já que eu não conseguira meditar, comecei a pensar em alguma maneira de atacar o castelo e salvar o pessoal. Decidi ir até o castelo hoje ao amanhecer, e observar o perímetro.

Até tentei meditar novamente, mas logo amanheceu. Juntei minhas coisas e comi uma coisa no refeitório da pousada que eu realmente preferi não saber o que era aquela gosma branca, rezei para que fosse algum tipo de queijo.

Saí da pousada e segui para o castelo, para ver como eu poderia entrar ali, naquela grande fortaleza que fazia a pequena cidade ficar menor ainda.

O castelo era feito de blocos de pedra, e estavam recobertos por camadas espessas de musgo, sangue, ferrugem e algumas trepadeiras, e pelo jeito, a cidade já tinha algumas décadas de nascimento. Uma parte da porta era de uma madeira fajuta – quase igual a do meu cajado – e a outra parte era diferente, mais antiga e resistente. Parecia que a porta original do castelo já tinha sido explodida ou coisa do tipo, pois havia pedaços de madeira e de metais, que um dia foram dobradiças, mas estavam dobrados e queimados. Essa outra parte da porta era disforme, ela não era retangular e sim oval. Ela era chapada em um metal quase espelhado. Pois bem, seria muito fácil entrar ali se não tivessem duas montanhas para guardá-la. Sim, dois Orcs imensos - E acreditem quando eu digo “IMENSOS”- guardavam a grande porta do castelo, armados com uma espada imensa cada um... E eles não tinham cara feia, precisava melhorar muito para serem somente “Feias”. Para entrar no castelo, eu teria que derrotar os dois orcs e arrumar alguma coisa para empurrar o troço espelhado.

Eu conhecia a bandeira azul hasteada ao alto do castelo. Era a bandeira da capital, aprendi sobre ela nos estudos. Mas ela estava rabiscada com uma cara de Ogro horrível. Provavelmente aquele castelo já fora de um humano.

Ali no canto do castelo, a esquerda da entrada, uma brincadeira dos Orcs me provocava calafrios, eram três cabeças, como se estivessem recém-removidas, enfiadas em uma lança e uma faixa com a seguinte frase: “Cuidado viajante... O inferno pode estar muito mais próximo do que você pensa!”. Engoli seco!

Cada segundo que eu passava dentro dali, mais asco e mais ódio se acumulavam dentro de mim. Eu precisava fazer algo. Foi quando vi umas vinte pessoas aproximarem-se da porta do castelo, falando sem parar e todas ao mesmo tempo.

- Nos dê comida, por favor, ó senhor Kirk todo bondoso e poderoso.

- Por favor...

- Comida...

Kirk... Eu já tinha ouvido isso antes. Talvez fosse nesse cara que eu tinha que chegar para minhas palavras terem algum valor.

Essa era a minha hora (ou pelo menos era para ser), eu encanto os guardas, roubo suas armas, mato Kirk, subo na masmorra, livro os reféns e viro o herói dos Elfos, Humanos e extraterrestres...

Não esperei mais nada, me juntei aos aldeões, peguei uma distancia boa do castelo, me concentrei...

Fechei os olhos e visualizei os dois guardas em minha mente. Sibilei o encanto de adormecer, era um dos primeiros aprendidos, impossível de falhar.

- Dormiens!

Os dois orcs dormiram, eu invadi o castelo e nem precisei lutar com Kirk, que me implorava perdão, ajoelhado no chão.

Infelizmente não foi isso que aconteceu...

Sim, o encanto “Infalível” falhou.

Uma pequena luz, quase invisível brotou de minha mão e flutuou em direção aos guardas. A magia não foi cancelada, ela fez pior. A luz bateu na parte espelhada da porta, e refletiu na população ao meu lado, o que os fez dormir instantaneamente. Agora os dois guardas – que odeiam praticantes de magia e Elfos e muito mais um elfo praticante de magia – olharam com uma mescla de medo e fúria para mim...

Acho que eu não ia ser mais o herói dos Humanos e extraterrestres.

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