Capítulo 4 (2.2) - Um amigo

Uma esfera leitosa saiu de minhas mãos, e atingiu kirk em cheio (graças aos céus). Kirk recebeu uma alta voltagem de choques elétricos porém, Heric também, ele não conseguiu pular na hora certa. Ambos foram repelidos pela energia abrangente que partira de minhas mãos. Kirk largou as espadas no chão e veio correndo em minha direção. Eu já estava em estado de “quase-coma” pelo gasto de energia com aquela esfera, acho que não ia aguentar uma trombada com aquele Orc imenso e feio. Ele desferiu vários golpes em mim com os punhos. Em minha cabeça, peito, barriga... Logo, consegui sentir o gosto do sangue em minha boca e as fortes dores musculares, deviam ter hematomas por todo o meu corpo. Comecei a ter a impressão de que morreria ali, daquele jeito, apanhando do inimigo comunal da cidade e bancando o heroizão. Logo-logo meu corpo defunto seria usado como exemplo para bancadores de heróis. Lá no fundo do hall, apoiado na parede, Heric conseguiu erguer sua besta (ele estava fraco pela magia que eu dei nele.) e então apontou a besta para mim.

Mas eu? O que havia feito para ele? Tinha acabado de salvar a vida dele... E agora ele ia mandar uma flecha direto no meu peito. E eu ainda estava apanhando igual um condenado de Kirk.

Em um dos socos que Kirk me acertou, foi no meu ombro esquerdo, isso me fez rodopiar, dando as costas para Kirk e ficando de frente com Heric.

Então Eric tentou falar, mas apenas vi seus lábios se mexerem dizendo algo como “para baixo!”

Então vi seus dedos movimentarem fazendo força no gatilho da besta... A Adrenalina era tanta em meu corpo que vi a flecha vindo quase que em câmera lenta.
Aprovei a oportunidade e gastei meu último floco de energia restante
:

- Sulphurus Sagitta!

A flecha começou a pegar fogo no meio do caminho. O encantamento tinha dado certo. Ouvi um grunhido de trás de mim, e senti a sombra do Rei se abaixando atrás de mim.

Senti um baque no chão, olhei para o lado e vi Kirk caído com uma flecha no peito do lado esquerdo... Seu sangue esparramando pelo chão. E Dessa vez, ele estava mais feio do que nunca.

Olhei para o outro lado do Hall e vi um Heric sorridente, orgulhoso e farto, muito farto.

-Será que precisarei salvar seu traseiro mais quantas vezes Thief? –Ele sorriu.

-Todas as vezes que achar que preciso de ajuda... Heric! –Eu também ri.

Retomei meu fôlego e me levantei, me dirigi a Kadimuss, que estava recluso no canto do Hall ainda protegendo a elfa. Ato digno, claro!

-Vamos Kadimuss! –Disse arfando.

Vi Kadimuss se levantar e carregar a elfa sem nenhuma expressão de peso excessivo. Ele parecia um monstro de tão forte que era. Talvez sua arma fosse um daqueles machados da atura de uma torre de castelo, mas só havia visto anões com um daqueles.

Enquanto saía do castelo... Minha visão ia se ampliando para uma guerra entre Orcs e Humanos. Uma coisa horrorosa, corpos para todos os lados. Sangue, ira, choro, gritos, agonia, sofrimento, risadas, vitórias e derrotas.

Quanto mais eu vivia... Mais esperava minha morte! Eu ainda estava bebendo meu próprio sangue devido os golpes de Kirk. Aquele gosto metálico não saía de minha boca.

Heric já havia me salvado duas vezes em menos de 2 horas... Mas eu mereci. Meu orgulho me impedia de agradecê-lo, mas se eu não estivesse aqui, bancando o herói, nada disso tinha acontecido, e ele não estaria livre.

Mas parecia que finalmente tinha um amigo confiável.

Não me arrependo de ter salvo ele, apesar de às vezes ele encher o saco bancando o bonzão... Só me arrependia de estar ali no meio daquele furacão de sangue.
Tínhamos que sair dali... E rápido! Eu não queria virar couro de armadura para Orcs.
A saída do Castelo estava próxima, eu finalmente estava presente naquela guerra imunda.

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